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Saturday, September 03, 2005
pela simplicidade dos amigos...obrigado

Há aqueles a quem dedicam nomes de ruas,grandes obras e até mesmo as biblicas biografias,cujo nome imortalizado foi por históricos feitos; e outros há (sem ninguem se aperceber sequer da sua passagem pelo mundo) que vivem na simplicidade de não quererem mostrar que são mais do que realmente são,uns ricos que souberam manter o coraçao humilde,outros pobres,cuja unica preocupação é encontrar pão para o dia seguinte. Destes alguns poderão ainda ser lembrados,outros nem por isso..dedico então estas palavras aos amigos simples,que no exemplo deles encontremos vontade de semear humildade.

Posted at 02:03 am by valter
Comments (2)  

Sunday, September 04, 2005
o silêncio do abandono

Escrevo-te no banco de pedra do lar em que me deixaram,todos pensam que o meu dialecto tosco e a minha paixão pelas gaitadas e balharicos me impedem de saber escrever. Sou velho e acabado mas isso não me impede de tentar ensinar algo aos desconhecidos como tu. Há muito que já não o fazia, apenas me lembrei que todos escrevem sobre uma pessoa depois de essa pessoa morrer e não quero eu também perecer desse atraso; falo-te hoje, então, do Joel. Toda a gente em volta da minha a terra o conhece, afinal não passa ele uma tarde sem correr as freguesias perguntando as horas da missa. Gosto dele, não é vaidoso, não precisa de vestir o fatinho novo para ir à missa de festa - por sorte a missa é à hora que ele chega da fazenda com o carrinho de mão carregado com pequenos molhos de vides podadas ha pouco e que muito servirão para acender o lume, segundo ele «pa cojer batatas com pêxe sêco» - gosto dele porque quando vê alguem a descarregar sacas de cebola ou algo mais de uma carrinha, não segue caminho sem antes ajudar a terminar o serviço. Chega o joel, arruma o carrinho de mão à esquina da padaria e vai ajudar a descarregar as mesas para a festa; ou as sacas de carvao para os assadores; ou as varas para o arraial; há quem pense que ele faz isto porque é atrasado mental e não pensa em gastar tempo a divertir-se...mas sinceramente acho ele se sente bem a servir, a gastar o próprio coração com os outros. E isso fa-lo sentir-se feliz!

Posted at 02:02 am by valter
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Friday, April 27, 2007
Dinheiro para quê...

Embora tenha nascido na altura menos famosa financeiramente para a família, reconheço que fui mais sortudo que os meus irmãos no sentido em que conheci todos os avós e bisavós (à excepção do bisavô sapinho, de quem já nem me lembro o nome). E recordo-me bem melhor do Joquim Custódio - pai da minha avó Graça e lenda da concertina - e a Mari Joquina - a mulher dele - e das tantas tardes que bem passei na taverna deles! Que bom lembrar o meu bisavô, que limpava todas as espinhas de uma cabeça de xixarro durante duas horas (sempre sem deixar a garganta seca) e depois a meu pedido agarrava na concertina já com alguma dificuldade, sim porque era eu que ia buscar a concertina e a pousava aos pés dele, e tocava lá o «corridinho das berlengas» o que chamava logo alguma clientela à taverna Tongue Também é com saudade que lembro o bocado de queijo, um pão da Abelheira e um saco com laranjas que sempre me esperavam do lado de dentro do balcão...mas a melhor recordação que guardarei para sempre da boa pobre gente é o pacotinho de bolacha maria que a minha bisavó nunca se esquecia de me dar, bem como a mão-cheia de amendoíns que iam direitinhos para o bolso para comer a caminho de casa. De vez em quando - e quando a reforma lhes permitia - também havia uma notinha de 500 escudos para pôr no mealheiro! E penso agora se mereciam eles todas as vezes que eu, apressado, passava a correr à porta deles sem lhes dizer "olá" (também o meu pai se lamenta de ter feito o mesmo) e por hoje me sentir mal por o ter feito, aconselho-te a ti, querido amigo ou leitor desconhecido, a dar valor aos que habitam no teu coração enquanto os tens na terra. Mas fica a esperança de um dia destes os voltar a encontrar para matar saudades Wink

Posted at 11:45 pm by valter
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Tuesday, September 02, 2008
Ao amigo ti Ze Amaro

Desde bem novinho (quando nos mudámos para uma casa finalmente nossa) que sempre me lembro da ti Lúcia e do ti Zé Amaro que moravam no fundo da rua. A imagem que sempre guardei deles consiste nele carregando o carrinho de mão com molhos de vides ou couves da borda e ela a acartar os sacos das compras na praça. Sempre me sorriram, por isso lá veio o belo do bom dia. Há já muitos anos...E finalmente quando comecei a dar o devido valor às pessoas cabrêras estes dois amigos subiram para os topos da lista!
Lembro-me bem da ti Lúcia ir a minha casa uns dias antes de eu vir estudar para Évora com um saquinho de peixe-seco para me dar «Toma lá isto pa nã te esqueceres das boas panelas de peixe com batatas à noite na praia».
Ficou cá guardado!

O ti Zé tão contente estava quando me via por casa aos fins-de-semana que quase saltava da fazenda só pa me dizer adeus!
Algum tempo se passou e lá foi a malta da terriola toda à ordenação do nosso Daniel no mosteiro dos Jerónimos e como boa saloiada que somos, todos nos havéramos sentado no jardim em frente a fazer um arraial chamado pic-nic. E lá estavam eles dois, a panelinha do coelho guisado, a garrafinha e o pratinho das filhózes de polvo (ai aquela ti Lúcia bem percebe daquilo).
«Queres uma, mê filho?» «Ah pois claro!»
Algumas semanas depois voltei a casa para visitar a família e lá soube...o ti Zé partiu...
Não, não fica o vazio; fica antes o coração cheio de boas memórias. Um abraço ti Zé, inté um dia destes!

Posted at 02:46 pm by valter
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Tuesday, June 06, 2017
Fernando, o São Fánã.

Ontem estive com Deus. Ontem estava na praia e a minha tia disse-me: «morreu o Fernando, o irmão do Joel». O Fernando estava acamado desde que nasceu e completaria este ano 50 anos de vida. Meio século passado na cama, sem conhecer outra realidade. Cada vez que a televisão da Ti Arminda avariava a minha mãe dizia-me: «Vai lá primeiro buscar a televisão dela, que é o único entretém do menino». O menino tinha a idade do meu pai, tirando dois anos. Lembro-me de uma das histórias mais comoventes para mim, em que um dia a Ti Arminda, tomando consciência de que já não tinha mais forças para cuidar do filho que mais cuidados solicitava, o inscreveu num lar para deficientes profundos em Fátima. Passadas uma ou duas semanas de ele lá estar ligaram para uma vizinha dela a pedir que lhe transmitisse que ele não parava de chorar e gritar pela família. A Ti Arminda pediu a um dos táxis de Ribamar para ir a Fátima e levou com ela o Joel, irmão mais velho do Fernando. Ao chegar ao lar, o Joel saíu disparado do táxi e diz quem viu, que sem nunca lá ter ido, correu sala a sala e quando encontrou o irmão pegou nele ao colo e saíu a passo largo direito ao táxi. «Mê imã, mê imã». Poucos soldados no meio da trincheira teriam a coragem de fazer o que o Joel fez. Poucos de nós nos dias de hoje teriam a hombridade de agir como ele em prol do próximo como ele fez. Ontem, no funeral do Fernando voltei a acolitar desde que me casei. O Padre Batalha, o nosso querido Padre Batalha, perguntou-me em gesto de afirmação/aprovação: «Tu vens aqui servir um pobre?». Respondi qualquer coisa de que nem me lembro, enquanto pensava: «Posso vir servir um pobre, mas venho aqui entregar a Deus um Santo». Obrigado Fernando. Quem te conheceu cresceu com o teu testemunho. És grande, o teu irmão Joel é grande. Só tenho pena da minha filha nunca te ter conhecido, que nunca contigo tenha aprendido a servir um Pobre, um Nobre Pobre. Boa viagem e entrega a Deus um grande abraço de nossa parte.

Posted at 05:53 am by valter
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